Com mil pensamentos, caminhei pela orla do mar tateando ora com os pés ora com as mãos todos os pequenos seixos e conchas. Esta diversidade relaxava-me. Fui guardando as conchas que tivessem algo diferente de todas as outras. A maré estava vazia e por isso consegui chegar às rochas. Nisto, um belo búzio cuspido pelo mar foi de encontro à minha perna.

Agarrei-o como se fosse um objeto raro e com o meu indicador explorei todas as arestas desafiando o toque e o desejo de o possuir. Esvaziei-o da água que tomara conta do seu interior. Afinal era leve. Como teria sido a sua vida? Com quem se cruzara no vasto oceano? Que perigos enfrentara? Mistério! Um forte aroma a mar desprendia-se do seu interior. Levei-o comigo para que quando estivesse em casa longe dali, ouvir o som do mar, como ouvia dizer.

Mais tarde, depois de lhe dar um lugar de destaque no meu quarto, resolvi testá-lo. E não é que ao encostá-lo ao ouvido:

Fshhh, fshhh … era incrível conseguia ouvir o som do mar.

Sempre que sentia saudades do mar, encostava o búzio ao ouvido. O seu murmúrio enchia o quarto e, por instantes, as paredes desapareciam. Voltava a sentir a areia sob os pés, o sal na pele e o horizonte sem fim. Afinal, o mar encontrara uma forma de vir para casa comigo.