A casa era toda ela tecida em fios, brilhante à luz do sol e acolhedora. Deslumbrada, caí no logro, como inseto em teia de aranha. Envolveste-me em círculos de seda que saíam da tua boca para me devorar. Entreguei-me à lascívia no desejo de te pertencer e ser sugada para deleite de ambos. Engano meu. Recorri então à habilidade de fingir gostar para que pensasses que estava completamente rendida. Retiraste-te por momentos, aproveitei a distração para desembrulhar os fios, um por um. Libertei-me com a mesma estratégia que usaras para me convencer — o embuste. Fora um erro acreditar no amor.





